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Diário do Minho: AEMinho propõe cinco medidas para dinamizar economia do Minho

Notícias

19 MAR. 2026

A Associação Empresarial do Minho apresentou à Assembleia da República cinco propostas estratégicas para reforçar a competitividade, qualificação da mão de obra e investimento na região.A Associação Empresarial do Minho (AEMinho) esteve, nos dias 17 e 18 de março, na Assembleia da República, onde se reuniu com o presidente da Assembleia e com várias bancadas. O objetivo foi apresentar a Agenda para a Competitividade, com cinco áreas prioritárias, para enfrentar problemas estruturais que impactam a competitividade, o investimento e o crescimento económico da região.Na competitividade fiscal, a AEMinho propõe um regime mais simples e previsível, com incentivos à capitalização das empresas, redução da tributação sobre trabalho e resultados reinvestidos, e estabilidade fiscal plurianual para garantir segurança a investidores e empresas.Sobre a qualificação da força de trabalho, a associação defende programas de requalificação rápida e prática, reforço do ensino profissional e dual, melhor planeamento das vagas no ensino superior e atração de talento qualificado, com foco nas áreas de maior escassez como indústria, tecnologia, energia e saúde.Na simplificação administrativa, a proposta passa por processos digitais integrados, criação de balcão único para empresas, eliminação de procedimentos redundantes e definição de prazos máximos para decisões, aumentando a eficiência e reduzindo burocracia.Quanto à modernização do mercado de trabalho, a AEMinho sugere reforço da negociação coletiva, modelos de flexissegurança e resolução rápida de conflitos laborais, conciliando competitividade com proteção social.Por fim, na aceleração do investimento, defende-se a definição de prazos curtos e vinculativos para licenciamento, vias rápidas para projetos estratégicos e integração digital de entidades, assegurando maior celeridade e coordenação em projetos industriais, energéticos e logísticos.«É essencial esta relação próxima com o parlamento, para levarmos a mensagem das empresas e contribuir para decisões mais assertivas e concretas», afirma Ramiro Brito, presidente da AEMinho.A associação considera que Portugal reúne condições para reforçar a competitividade económica, sendo essencial avançar com reformas que aumentem a confiança dos investidores, reduzam a burocracia, incentivem o investimento produtivo e valorizem o talento, construindo uma economia mais dinâmica e inovadora.Veja a notícia AQUI

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Artigo de Ramiro Brito no Observador: O Minho tornou-se uma ideia de futuro

Artigo de Ramiro Brito no Observador: O Minho tornou-se uma ideia de futuro

O Minho percebeu antes de muitos que o futuro não se reclama nem se anuncia. Constrói-se, todos os dias, com conhecimento, capacidade de execução e ambição coletiva Há geografias que carregam memória e há geografias que, discretamente, começam a carregar futuro. O Minho pertence hoje às duas. Durante décadas, habituámo-nos a olhar para esta região como um território de trabalho duro, indústria tradicional e emigração; uma terra resiliente, produtiva, profundamente ligada ao esforço e à capacidade de resistir. Talvez não tenhamos percebido, em tempo útil, aquilo em que o Minho se estava verdadeiramente a transformar.Enquanto uma parte significativa do país se entretinha a discutir modelos, teorias e centralismos, o Minho fazia aquilo que sempre soube fazer melhor: trabalhar, adaptar-se e construir. Fê-lo sem excesso de proclamações, sem necessidade permanente de reconhecimento e, sobretudo, sem perder a ligação àquilo que sempre definiu a identidade desta região: a capacidade de transformar dificuldades em ação concreta.Foi precisamente assim que o Minho começou, silenciosamente, a desenhar uma das transformações económicas mais interessantes de Portugal. Não nasceu de um decreto, nem de uma moda conjuntural. Nasceu das empresas, dos empresários, das universidades, da indústria e de uma cultura de compromisso raramente valorizada no debate público nacional. Nasceu da capacidade de ligar conhecimento e produção, tradição industrial e inovação tecnológica, visão estratégica e execução.Acima de tudo, nasceu de uma mentalidade muito própria, que percebeu cedo uma coisa essencial: o futuro não se reclama, constrói-se.Hoje, o Minho exporta para o mundo, desenvolve tecnologia, cria marcas, atrai investimento, forma talento qualificado e compete em setores altamente especializados. E talvez o mais relevante seja o facto de o fazer, muitas vezes, longe do ruído mediático e da necessidade constante de validação externa que tantas vezes domina o discurso nacional. Esta continua a ser uma região mais preocupada em executar do que em anunciar.Existe hoje uma nova geração empresarial minhota profundamente diferente daquela que existia há vinte anos. Mais preparada, mais sofisticada, mais internacionalizada e muito menos condicionada pelos antigos complexos de periferia. É uma geração que já não olha para as empresas da região como negócios limitados à escala local, mas como plataformas de competição global, capazes de disputar mercado, talento e inovação em qualquer parte do mundo.E isso muda profundamente a forma como devemos olhar para o território.O Minho percebeu antes de muitos que competitividade já não significa apenas produzir mais barato. Significa produzir melhor, com mais conhecimento, mais diferenciação, mais velocidade de adaptação e mais valor acrescentado. Talvez por isso a região tenha conseguido afirmar-se, quase em simultâneo, na indústria, na engenharia, na tecnologia, no digital, no têxtil técnico, na metalomecânica, na criatividade, no desporto motorizado, na inovação e até na diplomacia económica empresarial.Há aqui uma transformação estrutural que Portugal ainda não analisou devidamente. Durante demasiado tempo, o país olhou para as regiões como extensões periféricas dos grandes centros de decisão, quando muitas das mudanças mais relevantes da economia portuguesa estavam precisamente a acontecer fora deles. A verdade é que o futuro económico português poderá ser muito mais policêntrico do que imaginávamos. E isso não fragiliza o país. Fortalece-o.As regiões que cresceram habituadas à escassez desenvolveram uma característica rara: capacidade de execução. Menos dependência do anúncio, mais foco no resultado. Menos estética institucional, mais construção concreta. O Minho tornou-se um dos exemplos mais claros disso em Portugal, não por ser perfeito ou por estar imune aos problemas nacionais, mas porque conseguiu preservar algo que se tornou raro: ambição coletiva.Num país tantas vezes bloqueado pelo pessimismo, pela lentidão e pela resignação, isso tem um valor económico, social e até emocional impossível de ignorar.Talvez o Minho já não seja apenas uma região industrial. Talvez tenha começado a transformar-se numa ideia de futuro para Portugal. E talvez esteja na altura de o país começar a olhar para o Minho não como periferia, mas como antecipação.Ramiro Brito, Presidente da Associação Empresarial do Minho (AEMinho) e CEO do Grupo ÉrreLeia o artigo AQUI

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30 MAI. 2026

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Artigo de Ramiro Brito, no Jornal de Notícias: Há instituições que nascem para deixar raiz

Artigo de Ramiro Brito, no Jornal de Notícias: Há instituições que nascem para deixar raiz

Há aniversários que servem para olhar para trás. E há outros que existem para confirmar caminho.O quinto aniversário da AEMinho pertence à segunda categoria.Cinco anos podem parecer pouco no calendário das instituições. Ainda assim, há projetos capazes de condensar, numa meia década, a densidade de um percurso muito mais longo. Não apenas porque crescem depressa, mas porque crescem com sentido, com identidade e com uma ideia clara do lugar que pretendem ocupar. Sobretudo, daquilo que recusam ser.A AEMinho nasceu num tempo particularmente exigente para as empresas, para a economia e para a própria confiança coletiva. Nasceu quando muitos acreditavam que o associativismo empresarial estava condenado à irrelevância protocolar, preso entre comunicados mornos e presenças simbólicas. Mas nasceu, também, da convicção silenciosa de que o Minho continuava a possuir uma energia económica, raramente acompanhada pela influência que merecia no desenho das decisões nacionais.O Minho sempre soube trabalhar. Nem sempre soube fazer-se ouvir.Talvez por isso esta associação tenha crescido com uma velocidade que surpreendeu muitos, mas que nunca surpreendeu verdadeiramente quem conhece esta região. O Minho reconhece autenticidade quando a encontra. Reconhece trabalho sério. Reconhece compromisso. Reconhece presença.Ao longo destes cinco anos, a AEMinho tornou-se muito mais do que uma estrutura representativa. Tornou-se ponto de encontro entre empresas, setores, gerações e diferentes perspectivas sobre o futuro económico da região. Trouxe debate. Trouxe inquietação. Trouxe pensamento estratégico. Trouxe voz. Trouxe, sobretudo, ambição.Ambição no melhor sentido da palavra. Não a ambição vazia do protagonismo imediato, mas a ambição paciente das instituições que compreendem que os territórios se transformam lentamente, através da persistência, da continuidade e da visão.Foi isso que procurámos construir.Uma associação capaz de estar presente nos momentos relevantes da vida económica e política do país. Capaz de defender os interesses do Minho sem complexos territoriais nem dependênciasinstitucionais. Capaz de falar de produtividade, inovação, fiscalidade, internacionalização, talento, mobilidade e competitividade, sem cair no discurso fácil da resignação portuguesa.O Minho nunca foi uma região resignada.É uma região feita de indústria e engenho. De fábricas que cresceram entre gerações. De empresários que aprenderam a sobreviver antes de aprenderem a escalar. De gente habituada a transformar dificuldade em movimento. Talvez por isso exista aqui uma relação particularmente séria com o futuro: ninguém espera que ele aconteça sozinho.Nestes cinco anos, a AEMinho procurou honrar essa cultura.Nem sempre foi confortável. As instituições que escolhem ter pensamento próprio raramente vivem na tranquilidade do consenso permanente. Houve momentos em que foi necessário contrariar acomodações, questionar decisões instaladas e defender posições incómodas, mas talvez seja precisamente essa independência que explica a credibilidade conquistada.Hoje, a AEMinho é uma instituição incontornável no panorama regional e nacional. Não apenas pela dimensão da atividade desenvolvida, pelo crescimento sustentado ou pela presença pública alcançada. Sobretudo, porque conseguiu construir algo mais difícil e mais raro: relevância.A relevância não se decreta, constrói-se, todos os dias, com trabalho persistente, coerência e capacidade de continuar, mesmo quando o caminho longo parece menos visível do que o resultado imediato.Talvez essa seja a verdadeira marca destes cinco anos. A consciência de que ainda estamos apenas no início, porque há projetos que nascem para cumprir calendário e há outros que nascem para deixar raiz.A AEMinho pertence, profundamente, à segunda categoria.Ramiro Brito, Presidente da Associação Empresarial do Minho (AEMinho) e CEO do Grupo ÉrreLeia o artigo AQUI

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25 MAI. 2026

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Artigo de Ramiro Brito no Observador: As instituições que nascem da economia real

Artigo de Ramiro Brito no Observador: As instituições que nascem da economia real

O quinto aniversário da AEMINHO celebra mais do que um percurso institucional. Celebra a força coletiva de uma região que continua a crescer pela sua própria capacidade.Há cinco anos, quando um grupo de empresários decidiu criar a Associação Empresarial do Minho, poucos imaginariam a velocidade com que aquela ideia ganharia dimensão, voz e relevância nacional. Talvez porque, em Portugal, nos habituámos a olhar para as instituições novas com desconfiança, como se a legitimidade dependesse exclusivamente da antiguidade, do peso histórico ou da proximidade aos centros tradicionais de poder.Mas as instituições verdadeiramente vivas raramente nascem do conforto. Nascem da necessidade.A AEMINHO nasceu precisamente disso: da perceção clara de que o Minho, uma das regiões mais dinâmicas, exportadoras e resilientes do país, precisava de uma voz empresarial livre, independente, moderna e profundamente ligada à economia real. Uma voz sem dependências políticas, sem amarras ideológicas, sem burocracias paralisantes. Uma associação construída por empresários, para empresários.Num país excessivamente centralizado, onde tantas vezes os territórios só existem quando o poder central se lembra deles, o Minho aprendeu há muito a crescer pela força das suas empresas, da sua capacidade de trabalho, da sua indústria, da sua diáspora e da sua resiliência coletiva. Talvez por isso a AEMINHO tenha conseguido afirmar-se tão rapidamente. Porque nunca tentou representar um conceito abstrato de economia. Representou pessoas reais, empresas reais, problemas reais.Nestes cinco anos fomos independentes e acutilantes sem nunca perder o equilíbrio institucional. Defendemos empresas sem cair no discurso fácil. Criticámos quando tivemos de criticar. Propusemos quando tivemos de propor. Falámos de produtividade quando quase ninguém queria falar dela. Falámos de qualificação, de energia, de indústria, de fiscalidade, de competitividade, de inovação, de internacionalização, de talento, de habitação, de sustentabilidade e de coesão territorial antes de muitos destes temas se tornarem centrais no debate público.Fizemo-lo sempre com uma convicção simples: não há economia forte sem empresas fortes. E não há empresas fortes num país que desconfia permanentemente de quem cria riqueza.Talvez por isso uma das maiores conquistas da associação nestes cinco anos tenha sido precisamente a capacidade de criar convergência. Aproximar empresários, trabalhadores, universidades, autarquias, Governo, diplomacia, investidores e sociedade civil. Construir pontes num tempo em que quase todos parecem mais preocupados em erguer trincheiras.Sempre recusámos a visão ultrapassada dos “patrões contra os trabalhadores”, porque as empresas são organismos vivos onde todos contam. O sucesso de uma empresa nunca pertence apenas ao capital. Pertence também ao esforço, ao talento, ao compromisso e ao sacrifício coletivo de quem todos os dias a constrói.Ao longo destes cinco anos, a AEMINHO tornou-se mais do que uma associação empresarial. Tornou-se um espaço de afirmação regional com projeção nacional. Um ponto de encontro de ideias, de inquietação estratégica e de ambição coletiva. Uma instituição que procurou colocar o Minho no país e o país no mundo.E talvez isso explique o simbolismo especial de celebrarmos este quinto aniversário na Cimeira da Indústria, em parceria com o Observador. Porque a indústria continua a ser um dos maiores pilares silenciosos da economia portuguesa. Discreta, resistente, exportadora, inovadora. Muitas vezes ignorada no discurso político, quase sempre decisiva nos momentos mais difíceis do país.Chegar aos cinco anos não é, para nós, um ponto de chegada. É apenas uma confirmação de responsabilidade.As instituições não se medem apenas pelo tempo que existem. Medem-se pela confiança que conseguem construir, pela capacidade de mobilizar pessoas, pela coragem de manter independência e pela utilidade que têm para a sociedade.Se a AEMINHO conseguiu crescer tão depressa, foi porque nunca pertenceu verdadeiramente a uma direção, a um presidente ou a um grupo restrito de pessoas. Pertenceu sempre à energia coletiva de uma região inteira que se recusa a aceitar um papel secundário no desenvolvimento do país.E enquanto essa energia existir, continuará a haver futuro para o Minho. E continuará a haver razões para acreditar em Portugal.Ramiro Brito, Presidente da Associação Empresarial do Minho (AEMinho) e CEO do Grupo ÉrreLeia o artigo AQUI

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25 MAI. 2026

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Artigo de Ramiro Brito no ECO: O custo invisível da rigidez laboral

Artigo de Ramiro Brito no ECO: O custo invisível da rigidez laboral

Portugal não está a perder empregos, está a perder decisões de investimento que nunca chegam a acontecer.Há custos que se medem. E há custos que se acumulam em silêncio.Os primeiros cabem nas contas das empresas, nos relatórios do Estado, nas estatísticas que sustentam o debate público. Os segundos não aparecem, mas são muitas vezes, os que mais pesam no destino de uma economia.A rigidez do mercado de trabalho em Portugal pertence, em grande medida, a essa segunda categoria. Discutimo-la com frequência, quase sempre com intensidade ideológica, raramente com a frieza necessária para perceber o seu verdadeiro impacto. Porque o seu efeito mais profundo não está no que se vê. Está no que nunca chega a acontecer.Todos os dias, em salas de reunião discretas, tomam-se decisões que nunca chegam a ser notícia. Planos de expansão são redesenhados. Equipas deixam de ser reforçadas. Novas áreas de negócio ficam por lançar. Não por falta de ambição ou de mercado, mas por uma variável silenciosa que condiciona todas as outras: o risco. Não o risco do negócio, esse é inerente a qualquer decisão empresarial. Mas o risco associado à irreversibilidade das decisões laborais. A dificuldade em ajustar quando a realidade se afasta do plano. Porque o verdadeiro problema não está no custo do trabalho. Está no custo do erro.Quando errar numa contratação passa a ser um potencial processo longo, incerto e oneroso, a racionalidade empresarial ajusta-se. Não se contrata menos por falta de vontade. Arrisca-se menos por excesso de incerteza. E quando se arrisca menos, cresce-se menos.Recordo um caso recente, simples mas revelador. Uma empresa portuguesa do setor tecnológico preparava a abertura de uma nova unidade de desenvolvimento. Tinha mercado, financiamento e projetos assegurados. A decisão parecia natural: contratar e crescer. Mas não avançou. A decisão travou perante uma pergunta: e se o crescimento não se materializar ao ritmo esperado, conseguiremos ajustar a estrutura com a mesma agilidade? A resposta não foi suficientemente clara. O projeto não foi cancelado. Foi deslocado. Avançou, mas fora de Portugal.Este é o tipo de decisão que não entra em nenhuma estatística. Não altera, no imediato, a taxa de desemprego. Mas é aqui que começa a erosão silenciosa da nossa competitividade.Basta um exercício simples para perceber o impacto. Imagine-se uma PME que pondera contratar cinco quadros intermédios, com um custo anual direto de cerca de 140 mil euros. À superfície, trata-se de um investimento claro. Mas essa não é a conta decisiva. Se existir uma probabilidade — ainda que moderada — de ter de reduzir essa equipa num horizonte de 12 a 18 meses, e se esse ajustamento implicar custos equivalentes a vários meses de remuneração por colaborador, então o investimento deixa de ser apenas de 140 mil euros. Passa a incorporar um risco que pode elevar o custo percebido para valores próximos dos 200 ou 250 mil euros.Nesse momento, a decisão muda.Não porque o projeto deixou de fazer sentido, mas porque o risco se tornou desproporcionado.Multiplicado por milhares de empresas, este raciocínio produz um efeito que raramente é captado pelas métricas tradicionais. Não se traduz apenas em menos contratações. Traduz-se em menos ambição, menos escala, menos crescimento.Portugal não está apenas a perder empregos. Está a perder a possibilidade de os criar.Há um ponto essencial que raramente é colocado: é precisamente em contextos de aparente pleno emprego que as reformas devem acontecer. Não quando o sistema está sob pressão, mas quando ainda há margem para pensar o futuro. Reformar em momentos de conforto relativo é a única forma de garantir mais emprego no futuro, melhores salários e menor precariedade. E isso só se alcança com crescimento.A resposta não está em escolhas ideológicas, mas em equilíbrio. Reduzir a incerteza nos processos de cessação, tornando-os mais previsíveis. Criar mecanismos de ajustamento ágil em contextos adversos, desenvolver instrumentos que partilhem o risco da contratação em fases de expansão.Nada disto é teórico. É pragmático.A questão é simples: quanto crescimento estamos a perder por decisões que nunca chegam a ser tomadas?O maior custo da rigidez laboral não está no emprego que se perde. Está, silenciosamente, no emprego que nunca chega a existir.Ramiro Brito, Presidente da Associação Empresarial do Minho (AEMinho) e CEO do Grupo ÉrreLeia o artigo AQUI

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18 MAI. 2026

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Artigo de Ramiro Brito no Observador: A contradição portuguesa: pedir ousadia e punir o risco

Artigo de Ramiro Brito no Observador: A contradição portuguesa: pedir ousadia e punir o risco

Portugal habituou-se a elogiar o empreendedorismo sem verdadeiramente gostar do risco. O problema é que nenhuma economia cresce de forma sustentada quando desconfia estruturalmente de quem investe. “Quando o sucesso é taxado e o falhanço condenado, o investimento transforma-se num ato de resistência.”Portugal habituou-se a elogiar o empreendedorismo sem verdadeiramente gostar do risco.A frase pode parecer excessiva. Não é. Basta olhar para a forma como o país continua a tratar quem investe, quem cresce e, sobretudo, quem falha.Nunca se falou tanto de inovação, modernização, reindustrialização ou inteligência artificial. Nunca os discursos públicos estiveram tão preenchidos de palavras certas. Contudo, por detrás da retórica, permanece uma realidade menos confortável: grande parte da economia portuguesa continua assente num sistema que desconfia estruturalmente de quem produz.O problema português já não é apenas fiscal. Nem exclusivamente burocrático. Tornou-se mais profundo do que isso. É, hoje, um problema cultural.Portugal continua demasiado desconfortável com a ideia de risco.Enquanto países como os Estados Unidos transformaram a capacidade de falhar numa componente natural da inovação económica, Portugal mantém uma relação quase punitiva com o insucesso empresarial. Nos Estados Unidos, um empresário que falha pode regressar ao mercado, captar novo investimento e recomeçar. O falhanço é frequentemente interpretado como experiência acumulada. Entre nós, demasiadas vezes transforma-se numa marca permanente de desconfiança financeira e institucional.O mesmo contraste é visível na relação entre banca e economia produtiva.Economias como a Alemanha consolidaram modelos bancários profundamente ligados à indústria exportadora, ao crescimento empresarial e ao investimento de longo prazo. Em Portugal, pelo contrário, o sistema financeiro tornou-se progressivamente mais confortável a financiar consumo, imobiliário e operações protegidas por garantias sólidas do que propriamente transformação económica.A consequência está à vista.A banca portuguesa apresenta hoje lucros historicamente elevados. Margens confortáveis. Resultados robustos. Ainda assim, permanece uma pergunta essencial: quanto desse conforto financeiro está verdadeiramente ao serviço da economia real?Porque existe uma diferença enorme entre financiar consumo e financiar crescimento.Existe, também, uma diferença substancial entre conceder crédito protegido por garantias fortes e assumir risco estratégico na economia produtiva.Portugal precisa de bancos capazes de financiar indústria, tecnologia, internacionalização, modernização empresarial e ganho de escala. Precisa de instituições financeiras capazes de olhar para projetos empresariais com visão de médio prazo, e não apenas através da lógica defensiva do risco imediato.Mas o sistema reage demasiadas vezes de forma inversa.Quando a economia desacelera, o crédito retrai-se. Quando as empresas enfrentam dificuldades conjunturais, aumentam spreads, exigências e pressão financeira. Quando surge incerteza, instala-se a retração. O capital torna-se mais caro precisamente no momento em que seria mais necessário proteger investimento, emprego e crescimento.Criámos uma economia onde se exige ousadia às empresas, enquanto o próprio sistema lhes retira margem para ousar.E depois surpreendemo-nos com a reduzida dimensão média das empresas portuguesas.Países como a Dinamarca ou os Países Baixos perceberam há muito que competitividade económica depende também de velocidade institucional. Licenciamentos rápidos. Administração pública digitalizada. Justiça económica eficiente. Estabilidade regulatória. Capacidade de decisão.Portugal continua demasiadas vezes aprisionado numa cultura de lentidão administrativa que consome tempo, liquidez e energia às empresas.A verdade é que o país se tornou demasiado caro para produzir. Não apenas pelo custo da energia, pela carga fiscal ou pela burocracia. Tornou-se caro pelo peso acumulado da demora, da instabilidade e da ausência de confiança estrutural no investimento produtivo.Uma licença demora demasiado tempo. Um projeto arrasta-se entre pareceres sucessivos. O financiamento chega tarde. O enquadramento fiscal altera-se constantemente. E o erro, em vez de ser absorvido como parte natural da atividade económica, converte-se demasiadas vezes numa sentença financeira.Nenhum país cresce de forma sustentada quando o sistema recompensa sobretudo a prudência passiva e penaliza excessivamente quem tenta expandir, inovar ou competir.O mais preocupante é que esta realidade surge precisamente no momento em que a Europa procura relocalizar indústria, reforçar autonomia estratégica e atrair investimento produtivo. Portugal possui vantagens relevantes: estabilidade social, posição geográfica, talento qualificado, capacidade exportadora e um tecido empresarial resiliente. Falta-lhe, contudo, velocidade económica.E sem velocidade, a oportunidade transforma-se rapidamente em atraso.O futuro económico do país não dependerá apenas de fundos europeus, anúncios de investimento ou conferências sobre inovação. Dependerá, acima de tudo, da capacidade de construir um ambiente onde investir não seja um exercício permanente de resistência.Porque uma economia cresce quando existe confiança. E a confiança não se decreta. Constrói-se.Constrói-se quando o Estado acelera em vez de bloquear. Quando o sistema financeiro acompanha em vez de sufocar. Quando o insucesso não destrói definitivamente quem tentou criar valor. E quando o país percebe, finalmente, que sem risco não existe crescimento.Portugal precisa de menos discursos sobre empreendedorismo e de muito mais condições reais para que alguém tenha coragem de investir sem sentir que está sozinho contra o sistema.Ramiro Brito, Presidente da Associação Empresarial do Minho (AEMinho) e CEO do Grupo ÉrreLeia o artigo AQUI

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18 MAI. 2026

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Artigo de Ramiro Brito no Observador: Pleno emprego? O erro de celebrar o que devia estar a ser reformado

Artigo de Ramiro Brito no Observador: Pleno emprego? O erro de celebrar o que devia estar a ser reformado

O verdadeiro problema de Portugal não é a falta de emprego. É a falta de valor no emprego que tem.Portugal habituou-se a celebrar números. A taxa de desemprego desce, os indicadores estabilizam, o discurso político respira de alívio. Mas há uma pergunta que raramente se faz, talvez porque a resposta incomoda: que tipo de emprego estamos, afinal, a criar?O país vive hoje um aparente cenário de pleno emprego. Aparente porque, por detrás da estatística, se esconde uma realidade menos confortável: empregos de baixo valor acrescentado, salários comprimidos, escassa progressão e uma economia que cresce aquém do seu potencial. Trabalha-se mais, mas produz-se pouco. E isso, num contexto global cada vez mais competitivo, não é estabilidade. É fragilidade disfarçada.Celebrar o pleno emprego nestes termos é confundir quantidade com qualidade. É aceitar como sucesso aquilo que, na prática, limita o futuro. Porque uma economia que não gera valor suficiente não consegue pagar melhor, não consegue reter talento, não consegue escalar. Fica presa a um ciclo de sobrevivência, onde trabalhar não significa, necessariamente, prosperar.O paradoxo é evidente. As empresas enfrentam dificuldades em atrair e reter talento, mas muitas não têm margem para pagar mais. Não por falta de vontade, mas por falta de produtividade. E a produtividade não se decreta. Constrói-se com investimento, inovação, escala e, sobretudo, com um enquadramento laboral que acompanhe a realidade económica.É aqui que o debate se torna desconfortável, porque implica reconhecer que o atual modelo não serve plenamente nem trabalhadores nem empresas. Um modelo onde a rigidez convive com a precariedade, onde a proteção formal não garante progresso real, onde a negociação coletiva, tantas vezes, se afasta da economia vivida no terreno.Os sindicatos, que poderiam desempenhar um papel decisivo neste equilíbrio, parecem ter abdicado dessa função transformadora. Tornaram-se, em muitos casos, estruturas de reivindicação contínua, desligadas da criação de valor que sustenta qualquer melhoria duradoura. Sem essa ligação à realidade económica, a defesa dos trabalhadores arrisca tornar-se apenas retórica. Isso talvez justifique porque representam, na verdade, uma fatia tão pequena dos trabalhadores no setor privado, menos de sete por cento.O maior erro seria esperar por uma crise para agir. Reformar o mercado de trabalho em recessão é sempre mais doloroso, mais conflituoso, mais imposto. É precisamente num contexto de aparente estabilidade que existe espaço para pensar, corrigir e preparar o futuro.Portugal precisa de uma reforma laboral que não seja ideológica, mas económica. Que incentive a produtividade, valorize o mérito, permita às empresas crescer e aos trabalhadores beneficiar desse crescimento. Uma reforma que olhe para o trabalho não apenas como um direito a proteger, mas como um motor de criação de riqueza.O verdadeiro problema de Portugal não é a falta de emprego. É a falta de valor no emprego que tem.Persistir na celebração acrítica dos números é escolher o conforto do presente em detrimento da ambição do futuro. Esse é um luxo que o país não pode continuar a pagar.A questão já não é saber se vamos reformar o trabalho. É saber se o faremos por escolha ou por inevitabilidade.Ramiro Brito, Presidente da Associação Empresarial do Minho (AEMinho) e CEO do Grupo ÉrreLeia o artigo AQUI

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11 MAI. 2026

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Artigo de Ramiro Brito, no Jornal de Notícias: Energia: o Norte pode ganhar, ou voltar a perder, a nova corrida industrial europeia

Artigo de Ramiro Brito, no Jornal de Notícias: Energia: o Norte pode ganhar, ou voltar a perder, a nova corrida industrial europeia

Num mundo onde a energia decide onde se produz, o Norte pode voltar ao centro, se não hesitar.A energia regressou ao lugar onde sempre pertenceu: ao centro das decisões económicas. No Norte, isso não se discute, sente-se. Sente-se no ritmo das fábricas, nas decisões que ficam em suspenso, nos investimentos que aguardam uma variável cada vez mais decisiva: o custo de produzir. A resposta da Comissão Europeia segue um guião compreensível. Proteger famílias e empresas, incentivar a contenção, reforçar reservas, coordenar compras. Tudo necessário. Tudo insuficiente. Para quem vive da indústria, a energia não é um episódio, é estrutura, é a diferença entre avançar ou adiar, entre crescer ou retrair, entre investir ou esperar. Nenhuma economia industrial se constrói sobre a expectativa. A Europa tenta, uma vez mais, ganhar tempo, mas o mundo não está parado, está a reorganizar-se. É nesse movimento que o Norte pode encontrar uma oportunidade rara, talvez a mais relevante das últimas décadas. Num continente pressionado por custos elevados e dependências externas, Portugal dispõe de um ativo que muitos perderam: a capacidade de produzir energia renovável em escala crescente e, sobretudo, com custos competitivos. O que, noutros países, é uma ambição, aqui pode ser execução. O Norte acrescenta a esse potencial uma realidade concreta: indústria. Um tecido produtivo denso, resiliente, habituado a ajustar-se e a competir. Têxtil, metalomecânica, agroindústria, transformação, são setores onde a energia não é um detalhe, é uma linha de fronteira entre viabilidade e perda. Ainda assim, as vantagens, por si só, não decidem nada. Exigem escolha. Exigem, desde logo, velocidade. Não é compatível com este tempo estratégico manter projetos energéticos bloqueados por anos, em processos que não acompanham a urgência económica. Exigem proximidade. A energia tem de deixar de ser distante para quem produz. Autoconsumo, comunidades energéticas e soluções de armazenamento não podem continuar a ser exceções regulatórias. Têm de tornar-se prática corrente.Exigem previsibilidade. Sem estabilidade nos custos, o investimento encolhe, a ambição retrai-se e o crescimento torna-se uma promessa adiada. Exigem, acima de tudo, visão, porque energia competitiva não serve apenas para reduzir custos, serve para atrair indústria, consolidar cadeias produtivas e reposicionar territórios. Num mundo em que a energia voltou a ser um fator de decisão estratégica, o capital não procura apenas eficiência, procura segurança, previsibilidade e escala. Procura lugares onde produzir faça sentido. O Norte pode ser um desses lugares, mas não por inércia. A Europa está a tentar proteger-se. Outros estão a reposicionar-se. Entre uma e outra atitude, define-se o futuro. O Norte não precisa de mais diagnósticos. Precisa de decisão. Pode continuar a adaptar-se ao preço da energia, ou pode usar a energia para redefinir o seu lugar na economia europeia. Desta vez, não se trata de reagir. Trata-se de escolher.Ramiro Brito, Presidente da Associação Empresarial do Minho (AEMinho) e CEO do Grupo Érre Leia o artigo AQUI

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5 MAI. 2026

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Artigo de Ramiro Brito no Observador: 1º de Maio. O trabalho mudou. A lei ficou para trás

Artigo de Ramiro Brito no Observador: 1º de Maio. O trabalho mudou. A lei ficou para trás

O trabalhador de hoje poderia viver muito melhor. O problema é que continuamos a regulá-lo com regras de um mundo que já não existeCelebramos o 1.º de Maio como um marco de conquista. E é. Porém, celebramo-lo, demasiadas vezes, como se o tempo tivesse parado nesse primeiro grito coletivo por dignidade. Como se o trabalho fosse hoje o mesmo campo de batalha de há mais de um século. Não é.O problema não está na memória. Está na forma como a usamos. Em vez de a honrarmos como ponto de partida, cristalizámo-la como ponto de chegada. Nesse processo, fomos perdendo a capacidade de fazer uma pergunta essencial: se o trabalho evoluiu tanto, porque continua o seu enquadramento preso ao passado?A resposta não é confortável. O trabalhador de hoje poderia viver significativamente melhor se a lei do trabalho tivesse acompanhado, com coragem, a evolução das empresas, da economia, da própria natureza do trabalho.Há mais conhecimento, mais tecnologia, mais capacidade produtiva, mais ferramentas para criar valor. Há também mais rigidez, mais desconfiança estrutural, demasiadas normas pensadas para um mundo que já não existe.Aqui reside o paradoxo.Em vez de ajustarmos as regras a uma realidade em mudança, insistimos em proteger o presente com instrumentos do passado. Ao fazê-lo, limitamos o futuro. Limitamos a capacidade das empresas crescerem, inovarem, pagarem melhor. Limitamos, no essencial, o potencial de melhoria real da vida dos trabalhadores.O trabalho mudou. Profundamente.Hoje, o trabalhador não é apenas mão de obra. É conhecimento, criatividade, decisão. Exige propósito, equilíbrio, flexibilidade. E bem. Esta transformação obriga a repensar o outro lado da equação: empresas mais ágeis, economias mais competitivas, modelos mais sustentáveis.Persistir numa leitura ideológica do trabalho, ancorada no século passado, é negar esta realidade. É recusar discutir produtividade, mérito, inovação, criação de valor como pilares centrais da dignidade laboral. No limite, condena-nos a um debate estéril, onde se reivindica muito, constrói-se pouco.Portugal vive este dilema com particular intensidade. Quer melhores salários, evita discutir produtividade com seriedade. Procura mais proteção, adia reformas estruturais. Ambiciona mais futuro, continua a olhar para o trabalho com categorias do passado.O 1.º de Maio deveria ser, por isso, menos um ritual, mais um exercício de lucidez.Celebrar conquistas, sim. Reconhecer o que ficou por fazer, também. Sobretudo, ter a coragem de perguntar: que reformas faltam para que o trabalhador viva, de facto, melhor?A dignidade do trabalho não está apenas na memória das lutas. Está na coragem de atualizar as regras do jogo.Ramiro Brito, Presidente da Associação Empresarial do Minho (AEMinho) e CEO do Grupo ÉrreLeia o artigo AQUI

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2 MAI. 2026

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Artigo de Ramiro Brito no Observador: Energia cara: a Europa pede contenção, Portugal pode liderar

Artigo de Ramiro Brito no Observador: Energia cara: a Europa pede contenção, Portugal pode liderar

A nova crise energética expõe a fragilidade europeia, mas abre uma oportunidade estratégica para Portugal afirmar liderança. A nova crise energética europeia já começou e, mais uma vez, Bruxelas responde a pedir contenção quando o que a economia precisa é de ambição.A escalada no Médio Oriente reacendeu o fantasma energético, e a resposta europeia segue um guião conhecido: recomendações, incentivos à poupança, medidas de alívio. O diagnóstico está certo: preços a subir, inflação a pressionar, crescimento em risco. A resposta continua curta.E o problema não é técnico. É estratégico.Para as empresas, a energia não é um debate político. É uma variável crítica que decide margens, investimento e sobrevivência. Quando o preço oscila, não se ajusta apenas o consumo, ajusta-se a ambição, adiam-se projetos, travam-se decisões, encurta-se o horizonte e nenhuma economia cresce com horizontes curtos.A Europa insiste na contenção: consumir menos, poupar mais, ganhar tempo. Tudo isto é racional. Mas tudo isto é insuficiente. Uma economia não se afirma a poupar energia, afirma-se a garantir energia que permita criar mais valor. É aqui que o debate tem de mudar. Da gestão da crise para a construção de vantagem. É aqui que Portugal pode jogar acima do seu peso.Num continente dependente Portugal é, potencialmente, um dos menos dependentes. Tem sol, vento, capacidade renovável crescente e uma posição geográfica que o coloca como porta de entrada de novas rotas energéticas. Tem, sobretudo, escala para decidir rápido.Mas potencial não é vantagem. Vantagem constrói-se, desde logo, com execução.Acelerar o licenciamento energético é a primeira condição. Hoje, projetos ficam anos bloqueados. Numa economia em transição, isso não é burocracia, é perda direta de competitividade.Transformar empresas em produtoras de energia é a segunda. Autoconsumo, comunidades energéticas e armazenamento não podem ser exceções. Têm de ser regra. Menos dependência, mais controlo.Garantir contratos de energia estáveis é a terceira. Sem previsibilidade de custos, não há investimento, sem investimento, não há crescimento.Alinhar energia com política económica é a quarta, talvez a mais decisiva. Portugal não pode limitar-se a produzir energia barata, tem de usar essa vantagem para atrair indústria, fixar talento e criar valor. É aqui que se decide o jogo. Enquanto a Europa gere a transição, outras geografias garantem o essencial: energia acessível e previsível. É isso que define onde se investe, onde se produz, onde se cresce.A energia deixou de ser um custo, tornou-se um instrumento de poder económico.Portugal tem, hoje, uma oportunidade rara: não apenas proteger-se, mas posicionar-se. Essa oportunidade não é permanente. Num mundo em que a energia define a competitividade, não vence quem consome menos. Vence quem cria condições para produzir mais e é desta vez, Portugal pode liderar, se não ficar à espera.Ramiro Brito, Presidente da Associação Empresarial do Minho (AEMinho) e CEO do Grupo ÉrreLeia o artigo AQUI

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24 ABR. 2026

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