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Diário do Minho: AEMinho propõe cinco medidas para dinamizar economia do Minho

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19 MAR. 2026

A Associação Empresarial do Minho apresentou à Assembleia da República cinco propostas estratégicas para reforçar a competitividade, qualificação da mão de obra e investimento na região.A Associação Empresarial do Minho (AEMinho) esteve, nos dias 17 e 18 de março, na Assembleia da República, onde se reuniu com o presidente da Assembleia e com várias bancadas. O objetivo foi apresentar a Agenda para a Competitividade, com cinco áreas prioritárias, para enfrentar problemas estruturais que impactam a competitividade, o investimento e o crescimento económico da região.Na competitividade fiscal, a AEMinho propõe um regime mais simples e previsível, com incentivos à capitalização das empresas, redução da tributação sobre trabalho e resultados reinvestidos, e estabilidade fiscal plurianual para garantir segurança a investidores e empresas.Sobre a qualificação da força de trabalho, a associação defende programas de requalificação rápida e prática, reforço do ensino profissional e dual, melhor planeamento das vagas no ensino superior e atração de talento qualificado, com foco nas áreas de maior escassez como indústria, tecnologia, energia e saúde.Na simplificação administrativa, a proposta passa por processos digitais integrados, criação de balcão único para empresas, eliminação de procedimentos redundantes e definição de prazos máximos para decisões, aumentando a eficiência e reduzindo burocracia.Quanto à modernização do mercado de trabalho, a AEMinho sugere reforço da negociação coletiva, modelos de flexissegurança e resolução rápida de conflitos laborais, conciliando competitividade com proteção social.Por fim, na aceleração do investimento, defende-se a definição de prazos curtos e vinculativos para licenciamento, vias rápidas para projetos estratégicos e integração digital de entidades, assegurando maior celeridade e coordenação em projetos industriais, energéticos e logísticos.«É essencial esta relação próxima com o parlamento, para levarmos a mensagem das empresas e contribuir para decisões mais assertivas e concretas», afirma Ramiro Brito, presidente da AEMinho.A associação considera que Portugal reúne condições para reforçar a competitividade económica, sendo essencial avançar com reformas que aumentem a confiança dos investidores, reduzam a burocracia, incentivem o investimento produtivo e valorizem o talento, construindo uma economia mais dinâmica e inovadora.Veja a notícia AQUI

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Artigo de Ramiro Brito, no Jornal de Notícias: Da OCDE à ação: o momento de Portugal é agora

Artigo de Ramiro Brito, no Jornal de Notícias: Da OCDE à ação: o momento de Portugal é agora

O mais recente relatório da OCDE sobre Portugal é, ao mesmo tempo, um retrato fiel e um teste à nossa ambição coletiva. Não faltam diagnósticos. O que continua a faltar é a capacidade de transformar esse conhecimento em ação consistente.A OCDE cumpre um papel importante no sistema económico internacional: compara, avalia, expõe fragilidades e aponta caminhos. Funciona como uma consciência técnica dos Estados: independente, informada e exigente. Mas não governa, não decide, não executa.Essa responsabilidade é exclusivamente nacional.E é aqui que Portugal continua a revelar um défice crítico: sabemos o que fazer, mas hesitamos em fazê-lo com a escala, a velocidade e a continuidade necessárias.O relatório insiste em pilares conhecidos: produtividade, qualificações, eficiência do Estado, ambiente regulatório e investimento. Nada disto é novo. O que é novo, ou deveria ser, é o contexto em que recebemos estas recomendações.Portugal está hoje numa posição singular. Num mundo mais fragmentado, com cadeias de valor a reorganizarem-se e blocos económicos a redefinirem relações, a capacidade de influência externa tornou-se um ativo económico.É precisamente aqui que a nomeação de Rui Moreira como embaixador junto da OCDE pode representar uma oportunidade rara.Não apenas pelo conhecimento político e económico que traz, mas pelo perfil: independente, pragmático, com experiência executiva e visão estratégica.Num organismo onde a influência se constrói, tanto pela qualidade técnica, como pela capacidade de articulação política, Portugal pode deixar de ser apenas um país avaliado e passar a ser um país que influencia.No entanto, essa oportunidade só terá valor com alinhamento interno.De pouco serve ter uma voz mais forte na OCDE se, internamente, continuarmos presos a ciclos curtos, reformas incompletas e consensos frágeis. A influência externa não substitui a decisão interna. Amplifica-a, quando ela existe.Portugal precisa de fazer uma escolha clara: continuar a usar a OCDE como espelho ou começar a usá-la como alavanca.Como espelho, limita-se a confirmar fragilidades. Como alavanca, pode ajudar a posicionar o país nas redes de decisão, antecipar tendências e influenciar políticas que moldam o crescimento.Isso exige estratégia e maturidade política. No fim, a questão não é o que a OCDE diz sobre Portugal, é o que Portugal faz com aquilo que a OCDE diz.Temos hoje mais informação, mais contexto e, potencialmente, mais influência do que nunca. Falta transformar isso em crescimento real.Essa, como sempre, não é uma tarefa das instituições internacionais. É uma decisão nossa.Ramiro Brito, Presidente da Associação Empresarial do Minho (AEMinho) e CEO do Grupo Érre Leia o artigo AQUI

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19 ABR. 2026

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Artigo de Ramiro Brito, no Observador: Baixa produtividade: o bloqueio que impede Portugal de crescer

Artigo de Ramiro Brito, no Observador: Baixa produtividade: o bloqueio que impede Portugal de crescer

A OCDE volta a apontar o essencial: o problema não é conjuntural; é a persistência de uma baixa produtividade que o país continua a adiar.Portugal cresce, mas cresce abaixo do seu potencial.A estabilidade regressou ao discurso económico. Há emprego, há alguma previsibilidade e existe, até uma percepção externa mais favorável. Ainda assim, importa não confundir estabilidade com progresso. Entre estabilizar e avançar há uma diferença estrutural, é precisamente aí que o país permanece bloqueado.O mais recente relatório da OCDE volta a colocar o foco no ponto essencial: a baixa produtividade.Este é, de facto, o problema central da economia portuguesa. Produzimos menos valor por hora trabalhada do que os nossos parceiros europeus e, enquanto essa realidade persistir, todas as restantes limitações serão apenas consequência: salários mais baixos, crescimento insuficiente e uma convergência que tarda em concretizar-se.A produtividade não é um conceito técnico distante; é o elemento que determina a capacidade de um país criar riqueza. Sem produtividade, o crescimento é inevitavelmente limitado e, com o tempo, perde relevância.O diagnóstico não é novo. Há anos que se repete com uma consistência que deveria, por si só, obrigar à ação. O que falta já não é compreensão do problema, mas capacidade de execução.O relatório da OCDE organiza este diagnóstico em várias dimensões que, analisadas em conjunto, revelam a natureza estrutural do desafio.Desde logo, a tecnologia e a inovação. Num contexto em que a inteligência artificial redefine cadeias de valor e modelos de negócio, a adoção tecnológica em Portugal continua desigual, em muitos casos, tardia. Não basta investir, é necessário transformar, de forma efetiva, processos, modelos organizacionais e práticas de gestão.Segue-se a questão do talento, hoje indissociável do acesso à habitação. Uma economia que não consegue fixar pessoas dificilmente crescerá de forma sustentada. O problema deixou de ser apenas social, tornou-se económico. Sem talento, não há produtividade.A fiscalidade constitui outro fator crítico. Um sistema complexo, pesado e imprevisível penaliza o trabalho, desincentiva o investimento e limita o crescimento das empresas. A simplificação não é um detalhe técnico, é uma condição necessária para a eficiência económica.O mercado de trabalho enfrenta, por sua vez, uma pressão demográfica evidente. Com menos pessoas disponíveis, o desafio deixa de ser apenas criar emprego, passa a ser valorizar cada trabalhador. Reter talento, atrair competências e integrar melhor trabalhadores seniores torna-se, assim, essencial.Por fim, o Estado. A burocracia, a lentidão da justiça e a imprevisibilidade regulatória traduzem-se em custos reais para a economia, ainda que muitas vezes invisíveis. Um Estado ineficiente não é neutro; condiciona decisões, atrasa investimento e limita o crescimento.Nenhuma destas dimensões é nova. E é precisamente essa repetição que deve preocupar.Quando o diagnóstico se mantém constante ao longo do tempo, o problema deixa de ser técnico e passa a ser político. É aqui que o debate se torna mais exigente. Aumentar a produtividade não depende apenas de boas políticas, depende da capacidade de as sustentar no tempo. Exige consenso político em torno de matérias essenciais como fiscalidade, justiça, mercado de trabalho e investimento. Exige estabilidade regulatória e previsibilidade nas decisões. Exige, no fundo, a maturidade coletiva de tratar a competitividade como um desígnio nacional, e não como um campo de disputa conjuntural.Sem esse consenso, as reformas tornam-se intermitentes. E reformas intermitentes raramente produzem resultados estruturais.Aumentar a produtividade não resulta de uma medida isolada, nem de um ciclo governativo. Exige coerência, continuidade e prioridade. Exige criar condições para que as empresas cresçam, invistam e inovem. Exige, acima de tudo, alinhar incentivos com a criação de valor.Portugal não precisa de mais relatórios. Precisa de decisões que resistam ao tempo e de políticas que não mudem a cada ciclo.Porque o essencial já está identificado.A questão, agora, não é saber o que fazer.É saber se estamos, finalmente, dispostos a fazê-lo.Ramiro Brito, Presidente da Associação Empresarial do Minho (AEMinho) e CEO do Grupo Érre Leia o artigo AQUI 

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17 ABR. 2026

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Artigo de Ramiro Brito, no Observador: A Europa quer abrir mercados, mas recusa mudar por dentro

Artigo de Ramiro Brito, no Observador: A Europa quer abrir mercados, mas recusa mudar por dentro

Acordos com o Mercosul, a Austrália, a Índia e outras economias expõem um paradoxo europeu: abrir ao mundo sem reformar a sua base produtiva pode acelerar a perda de relevância.Durante décadas, a Europa habituou-se a olhar para si como um dos vértices naturais da economia mundial: mercado vasto, moeda sólida, Estado de direito consolidado, instituições densas, um “modelo social” admirado. Porém, o mundo mudou mais depressa do que a Europa, e cada novo acordo comercial, como os recentemente firmados ou negociados com a Índia, o Mercosul ou a Austrália, expõe uma tensão fundamental: queremos continuar a definir regras para o comércio global, mas hesitamos em fazer as reformas internas necessárias para competir nesse mesmo comércio.Os acordos com parceiros estratégicos como a Índia ilustram bem este dilema. Em teoria, abrem portas a um dos mercados mais dinâmicos do planeta: uma classe média em ascensão, demografia jovem e um ecossistema tecnológico em ebulição. Para as empresas europeias, isto significa acesso a novos consumidores, cadeias de valor mais diversificadas e oportunidades de investimento. Num contexto de rivalidade crescente entre Estados Unidos e China, uma relação económica mais estreita com a Índia é também um gesto geopolítico: reduzir dependências, multiplicar alternativas, evitar o destino de mero espaço intermédio entre dois gigantes.Mas este não é um caso isolado. O acordo com o Mercosul, se plenamente concretizado, abre à Europa um mercado de mais de 260 milhões de consumidores e acesso a matérias-primas críticas, ao mesmo tempo que expõe setores sensíveis a concorrência com estruturas de custos muito distintas. Já o acordo com a Austrália, economia madura e altamente competitiva, representa uma oportunidade qualitativa: acesso a um mercado exigente e a cadeias de valor sofisticadas. Em conjunto, estes acordos desenham um novo mapa de inserção global para a Europa, mais aberto, mais diversificado, mas também mais exigente.A outra face destes acordos é, porém, bem menos confortável. A indústria europeia, já pressionada por custos energéticos elevados, por uma teia regulatória complexa e por atrasos em domínios-chave como semicondutores, inteligência artificial ou biotecnologia, confronta-se agora com concorrência acrescida de economias com maior escala, custos mais baixos ou políticas industriais agressivas. Em indústrias tradicionais, o risco de deslocalização e destruição de emprego é real. Noutras, a pressão sobre margens, propriedade intelectual e talento será intensa.É aqui que se revela o paradoxo europeu: precisamos destes acordos para não resvalar para a irrelevância; mas cada novo acordo evidencia que o nosso modelo produtivo não está preparado para um mundo em que a escala, a velocidade e o risco contam tanto como a qualidade e a regulação.O problema não reside nos tratados em si, mas na casa europeia mal arrumada. O “modelo europeu”, economia de mercado, proteção social e forte regulação, garantiu décadas de prosperidade. Hoje, porém, acumulam-se sinais de fadiga: crescimento anémico, investimento insuficiente, perda de peso na inovação e dependência tecnológica preocupante.A Europa é exemplar a regular, talvez demasiado, e lenta a decidir. A fragmentação do mercado interno corrói a promessa de escala. Falta um verdadeiro mercado único para capitais, energia e dados. Falta, sobretudo, uma hierarquia de prioridades: não é credível querer ser simultaneamente o campeão climático, o espaço regulatório mais exigente, o Estado social mais abrangente e um competidor industrial global sem aceitar escolhas e riscos.Os acordos com economias emergentes e desenvolvidas funcionarão como teste de stress a este modelo. Se forem acompanhados por uma agenda interna séria de competitividade, simplificação regulatória, redução de burocracia, investimento em I&D, políticas industriais coordenadas e energia mais acessível, podem ser uma alavanca de modernização. Caso contrário, arriscam acelerar a erosão industrial do continente.A decisão é política, não técnica. A Europa terá de escolher se quer ser sobretudo o regulador de um jogo que outros jogam melhor, ou um ator competitivo, com instrumentos à altura das suas ambições: investimento estratégico, defesa de setores críticos e uma política comercial baseada em reciprocidade efetiva.Se o projeto europeu falhar, não será por excesso de acordos com a Índia, com o Mercosul, com a Austrália ou com qualquer outro parceiro. Será por insistir num modelo concebido para um mundo que já não existe. A janela para corrigir a trajetória não está fechada, mas está a estreitar-se.A Europa continua a dispor dos seus trunfos: capital humano qualificado, sistemas científicos avançados, poupança, Estado de direito, valores que atraem. O que falta é coragem. Coragem para reconhecer que proteger o “modelo europeu” implica transformá-lo.Os acordos comerciais não são o problema, são o espelho. A questão é se estamos dispostos a olhar para esse espelho e a mudar, antes que o mundo mude definitivamente sem nós.Ramiro Brito, Presidente da Associação Empresarial do Minho (AEMinho) e CEO do Grupo Érre Leia o artigo AQUI

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11 ABR. 2026

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Artigo de Ramiro Brito, no Observador: Quando a economia espera

Artigo de Ramiro Brito, no Observador: Quando a economia espera

Num mundo marcado pela incerteza, a agilidade das empresas portuguesas pode ser não uma fragilidade, mas uma vantagem estratégicaHá momentos na história económica que não se anunciam com estrondo, nem se deixam capturar de imediato pelos indicadores. São tempos mais subtis, onde o movimento não cessa, mas abranda. Onde a economia não recua, mas hesita.É esse o tempo que vivemos.Num contexto internacional marcado por tensões geopolíticas persistentes, volatilidade nos mercados energéticos e sinais contraditórios nas principais economias europeias, instalou-se uma nova normalidade: a incerteza deixou de ser episódica e passou a estrutural.Quando a incerteza se instala como regra, altera profundamente o comportamento económico. As decisões deixam de ser apenas racionais. Tornam-se mais cautelosas, mais ponderadas e, muitas vezes, adiadas. E é nesse adiamento que o crescimento começa a perder ritmo.Mas há uma leitura adicional, e necessária, que importa fazer.Se é verdade que a incerteza penaliza economias mais frágeis, também é verdade que favorece economias mais ágeis.Portugal, frequentemente descrito pela sua pequena dimensão e pela predominância de pequenas e médias empresas, tende a olhar para si próprio sob o prisma da limitação. Contudo, em contextos de mudança acelerada, essas mesmas características podem transformar-se em vantagem.A menor escala permite maior proximidade à decisão. A flexibilidade organizacional facilita a adaptação. A capacidade de reconfiguração, muitas vezes subestimada, torna-se um ativo crítico quando o contexto exige resposta imediata.Onde grandes estruturas demoram a ajustar, as empresas portuguesas conseguem reposicionar-se com maior velocidade. E isso, num mundo instável, tem valor.Mas uma vantagem só se materializa se for reconhecida e enquadrada.Num contexto global onde a incerteza não pode ser eliminada, cabe à política económica garantir que tudo o que é interno não contribui para a amplificar. Mais do que intervir, importa criar condições para decidir.Reduzir o tempo de decisão administrativa, que continua a ser um entrave ao investimento. Garantir estabilidade fiscal, permitindo planeamento de médio prazo. Facilitar o acesso a financiamento e a instrumentos de mitigação de risco ajustados às PME. E reforçar a articulação entre política pública e tecido empresarial.Não se trata de transformar a economia portuguesa. Trata-se de a libertar.Porque, no momento atual, o maior risco não é a dimensão do país. É a incapacidade de transformar essa dimensão numa vantagem estratégica.Num mundo onde a escala já não garante velocidade, os países mais ágeis têm uma oportunidade real de se afirmar. Portugal pode ser um deles, se souber alinhar a sua capacidade empresarial com um enquadramento institucional que a potencie.Hoje, mais do que nunca, o desafio não é apenas resistir à incerteza.É escolher o que fazemos com ela.Porque a incerteza não paralisa todos por igual, separa. Separa os que esperam dos que avançam. Os que adiam dos que lideram.Portugal não ficará para trás por falta de capacidade, mas por excesso de hesitação.Num mundo em permanente aceleração, esperar deixou de ser prudência. Passou a ser abdicação.E entre adaptar-se ou ficar para trás, já não há meio-termo, há apenas decisão.Ramiro Brito, Presidente da Associação Empresarial do Minho (AEMinho) e CEO do Grupo ÉrreLeia o artigo AQUI

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5 ABR. 2026

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Artigo de Ramiro Brito, no Observador: Portugal não falha por falta de ideias. Falha por falta de acordo.

Artigo de Ramiro Brito, no Observador: Portugal não falha por falta de ideias. Falha por falta de acordo.

Ao longo dos anos, o país foi acumulando diagnósticos, relatórios e propostas sobre praticamente todas as áreas estruturais. Sabemos o que está mal, sabemos o que precisa de ser feito e, muitas vezes, até sabemos como fazer. O que tem faltado, de forma sistemática, é a capacidade de transformar esse conhecimento em compromisso político duradouro.Há áreas onde esta falha já não é aceitável. Fiscalidade, justiça e saúde não são campos de afirmação ideológica. São pilares estruturais de um país funcional.E, no entanto, continuamos a tratá-los como se fossem território de disputa permanente.Na fiscalidade, acumulamos complexidade, instabilidade e falta de visão. Penalizamos o investimento, sobrecarregamos o trabalho e mantemos um sistema que ninguém verdadeiramente entende, mas que todos sentem. O país não precisa de mais ajustes pontuais. Precisa de um compromisso político claro sobre o modelo fiscal que quer ser, simples, competitivo e orientado para o crescimento. E precisa, sobretudo, que esse compromisso sobreviva a mudanças de governo.Na justiça, a realidade é conhecida e pouco discutida com a frontalidade necessária. A morosidade, a imprevisibilidade e a dificuldade de execução não são apenas problemas do sistema judicial, são entraves diretos à economia. Não há investimento consistente onde não há confiança na capacidade de resolver conflitos em tempo útil. Este não é um debate ideológico. É uma condição básica de credibilidade do país.Na saúde, a discussão mantém-se presa a posições rígidas, enquanto o sistema acumula sinais de desgaste. A pressão sobre profissionais, a dificuldade de resposta e a crescente dependência de soluções alternativas mostram que o modelo atual precisa de ser repensado com pragmatismo. Não para substituir um extremo por outro, mas para garantir aquilo que realmente importa: acesso, qualidade e sustentabilidade.O ponto comum é evidente: nenhuma destas áreas se resolve num ciclo político. Todas exigem continuidade, estabilidade e previsibilidade. E todas continuam reféns de uma lógica de curto prazo que impede reformas estruturais.Portugal não precisa de unanimidade. Precisa de maturidade.Precisa de um consenso alargado, assumido e duradouro sobre matérias essenciais. Um consenso que permita às empresas investir com confiança, aos cidadãos acreditar nas instituições e ao Estado funcionar com eficácia.Continuar a transformar estas áreas em arenas de confronto é um erro que o país paga todos os dias, na sua competitividade, na sua atratividade e na sua capacidade de resposta.Há momentos em que governar não é vencer o adversário.E há momentos em que fazer oposição não pode ser, por definição, impedir que o outro avance.Mas há, sobretudo, uma pergunta que os partidos políticos deviam ter a coragem de fazer:defender determinadas posições por puro posicionamento eleitoral serve, de facto, o país?Há matérias onde o único resultado aceitável é o país ganhar.E talvez tenha chegado o momento de começar por aí.Ramiro Brito, Presidente da Associação Empresarial do Minho (AEMinho) e CEO do Grupo ÉrreLeia o artigo AQUI

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31 MAR. 2026

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Artigo de Ramiro Brito, no Jornal Público: Flexibilidade sem ambição não é reforma

Artigo de Ramiro Brito, no Jornal Público: Flexibilidade sem ambição não é reforma

O pacote laboral apresentado pelo Governo parte de um diagnóstico correto: o mercado de trabalho português precisa de mudança. A introdução de maior flexibilidade em matérias como contratos, organização do tempo de trabalho ou gestão de recursos humanos aponta, sem dúvida, na direção certa.Mas é precisamente aí que reside a limitação central desta proposta — a falta de ambição. As alterações apresentadas são, no essencial, incrementais. Corrigem alguns bloqueios, aliviam parcialmente a rigidez, mas ficam aquém do necessário para transformar verdadeiramente o funcionamento do mercado de trabalho em Portugal. Mesmo do lado da flexibilidade, o alcance das medidas continua a ser curto, tímido, insuficiente para responder aos desafios de competitividade que o país enfrenta. E isso levanta uma questão inevitável: queremos reformar ou apenas ajustar?Existe um modelo claro que tem vindo a afirmar-se nas economias mais competitivas: um sistema que combina elevada flexibilidade para as empresas com uma forte segurança para os trabalhadores nas fases de transição. Não se trata de escolher entre um lado e o outro, mas de construir um equilíbrio exigente, onde ambos se reforçam mutuamente.Neste modelo, a mobilidade laboral é assumida como uma realidade inevitável — e até desejável — num mercado dinâmico. A diferença está na forma como essa mobilidade é gerida. Em vez de gerar instabilidade, é acompanhada por mecanismos eficazes de proteção no desemprego, políticas ativas de emprego e uma aposta consistente na formação ao longo da vida. A confiança substitui o medo. A mudança deixa de ser um risco e passa a ser uma oportunidade.Portugal continua longe deste paradigma. E o atual pacote laboral, apesar de positivo na intenção, não rompe com o modelo híbrido que tem marcado as últimas décadas: alguma rigidez onde seria necessária agilidade, alguma flexibilidade onde seria exigida maior proteção estruturada.Mas há um outro obstáculo que importa enfrentar com clareza. Parte do bloqueio à evolução do mercado de trabalho em Portugal não é apenas técnico — é ideológico. Persistem setores sindicais e correntes de pensamento que continuam a encarar a proteção dos trabalhadores como um exercício de limitação das empresas. Essa visão não só está desajustada da realidade económica contemporânea, como tem produzido resultados que são hoje evidentes: baixa produtividade, dificuldade em atrair investimento e uma crescente fragilidade estrutural do emprego.Não é possível construir um país verdadeiramente progressista com base numa lógica de confronto permanente entre trabalho e capital. Essa dicotomia pertence a um tempo que já não responde aos desafios atuais. A proteção dos trabalhadores não se faz contra as empresas. Faz-se com empresas fortes, capazes de crescer, de investir e de criar oportunidades. E faz-se, sobretudo, garantindo que as transições no mercado de trabalho são acompanhadas com segurança, dignidade e perspetiva de futuro.O Governo deu um sinal. Mas um sinal não é uma reforma.Portugal precisa de mais do que ajustes graduais. Precisa de uma escolha clara de modelo — e essa escolha passa por assumir, sem hesitações, um caminho de flexibilidade com segurança, adaptado à sua realidade.Seria, aliás, do mais elementar interesse nacional que esta matéria fosse tratada com sentido de responsabilidade institucional e não de confronto político. Os modelos estão estudados, testados e os seus resultados são conhecidos. Já não estamos no domínio da ideologia, mas da evidência.Por isso, mais do que uma reforma de circunstância, o país precisa de um compromisso duradouro — um consenso parlamentar alargado que permita dar estabilidade, previsibilidade e credibilidade a uma transformação que é estrutural.Sem ambição, continuaremos a gerir um sistema que não serve plenamente nem trabalhadores nem empresas.Com ambição, podemos finalmente construir um mercado de trabalho moderno, equilibrado e competitivo.A diferença está na coragem de decidir.Ramiro Brito, Presidente da Associação Empresarial do Minho (AEMinho) e CEO do Grupo ÉrreLeia o artigo AQUI

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30 MAR. 2026

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Artigo de Ramiro Brito, no Observador: Os combustíveis. Perceber, analisar, agir

Artigo de Ramiro Brito, no Observador: Os combustíveis. Perceber, analisar, agir

Um país periférico, com forte dependência do transporte rodoviário e ainda demasiado exposto à energia importada, não pode continuar a reagir à subida dos combustíveis como quem apaga fogos Quando o preço dos combustíveis sobe, o debate público tende a ficar preso à bomba de gasolina e ao desconforto dos particulares. Mas o verdadeiro problema está mais abaixo, naquilo que não se vê de imediato: a competitividade das empresas.Para muitas empresas portuguesas, sobretudo na indústria, na logística, na distribuição, na construção, na agricultura e no turismo, o combustível não é um detalhe. É um custo central. E quando esse custo dispara, não sobe apenas a fatura do transporte. Sobe o preço das matérias-primas, da distribuição, das entregas, das deslocações, dos serviços no terreno e, no fim da cadeia, sobe a pressão sobre as margens.O problema é que muitas empresas não conseguem simplesmente passar esse aumento para o cliente. Quem exporta compete com produtores de outros países. Quem vende no mercado interno enfrenta consumidores mais sensíveis ao preço. O resultado é previsível: perde-se margem, adia-se investimento, trava-se contratação e enfraquece-se a capacidade de competir.É aqui que Portugal tem de ser mais sério. Um país periférico, com forte dependência do transporte rodoviário e ainda demasiado exposto à energia importada, não pode continuar a reagir à subida dos combustíveis como quem apaga fogos. Cada pico de preços gera o mesmo ritual: indignação, descida temporária de impostos, alívio momentâneo e regresso ao problema de fundo. Isto não é política económica. É gestão de urgência.Convém dizê-lo com clareza: reduzir impostos sobre os combustíveis pode fazer sentido em momentos excecionais. Mas não chega, e muito menos resolve. Um corte fiscal avulso pode amortecer o choque de uma semana; não corrige a vulnerabilidade estrutural de uma economia que continua demasiado dependente do gasóleo para funcionar normalmente.A questão, por isso, não é apenas como baixar preços. É como reduzir a exposição das empresas a este tipo de choques.A primeira medida devia ser simples: criar um mecanismo automático, transparente e temporário de atenuação para setores especialmente expostos. Não para subsidiar tudo e todos, mas para evitar que oscilações bruscas destruam margens viáveis e desorganizem contratos em execução. As empresas precisam menos de improviso político e mais de previsibilidade.A segunda medida é mais importante: investir a sério na eficiência energética das empresas. Isto significa apoiar renovação de frotas, modernização logística, autoconsumo, armazenamento, eletrificação onde ela já seja economicamente racional e soluções tecnológicas que reduzam consumos. O debate energético em Portugal continua muitas vezes preso à produção. Mas a competitividade joga-se também – e talvez sobretudo — no consumo. Não basta produzir energia mais limpa; é preciso usar menos energia para produzir mais valor.A terceira medida é a mais estrutural e, talvez por isso, a mais adiada: reduzir a dependência da rodovia no transporte de mercadorias. Enquanto quase tudo circular por estrada, o país continuará demasiado vulnerável ao preço do combustível. Reforçar a ferrovia de mercadorias, melhorar ligações logísticas e apostar verdadeiramente na intermodalidade não é apenas uma bandeira ambiental. É uma necessidade económica.No fundo, a subida dos combustíveis expõe uma fragilidade antiga da economia portuguesa: crescemos, exportamos mais, somos mais sofisticados do que éramos há duas décadas, mas continuamos a funcionar com custos de contexto demasiado pesados e com pouca proteção perante choques externos.É por isso que este tema merece ser tratado com mais ambição e menos folclore. O preço dos combustíveis não é apenas um assunto de mobilidade ou de carteira individual. É uma questão de competitividade nacional. E, nesse plano, a resposta não pode ficar limitada a mexidas semanais no imposto.O que está em causa não é apenas o preço de encher um depósito. É a capacidade de produzir, transportar, exportar e crescer num país que continua demasiado vulnerável a choques que conhece há décadas. E isso já não se resolve com remendos fiscais nem com indignações de ocasião. Ou Portugal usa este problema para corrigir uma fragilidade estrutural da sua economia, ou continuará a discutir cêntimos na bomba enquanto perde competitividade, investimento e futuro.Ramiro Brito, Presidente da Associação Empresarial do Minho (AEMinho) e CEO do Grupo ÉrreLeia o artigo AQUI

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23 MAR. 2026

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Artigo de Ramiro Brito, no Jornal Negócios: A rigidez laboral protege o medo, não os trabalhadores

Artigo de Ramiro Brito, no Jornal Negócios: A rigidez laboral protege o medo, não os trabalhadores

Portugal continua a discutir leis laborais como se tivesse de escolher entre proteger trabalhadores ou dar liberdade às empresas. Este é um falso dilema, e tem custado caro ao país.O nosso problema não é falta de legislação. e excesso de legislação pensada para um mercado de trabalho que já mudou. Continuamos a confundir proteção com rigidez e segurança com bloqueio. O resultado está à vista: empresas com receio de contratar, trabalhadores com receio de perder o emprego e uma economia com dificuldade em adaptar-se, crescer e pagar melhor. É por isso que Portugal devia olhar com seriedade para um modelo de flexissegurança, inspirado no da Dinamarca, mas ajustado à nossa realidade. O princípio é simples: dar às empresas mais capacidade de adaptação, sem deixar os trabalhadores entregues a si próprios. Menos rigidez no vínculo, mais segurança na transição. Menos culto do posto de trabalho intocável, mais proteção real da pessoa que trabalha.É aqui que o debate português normalmente falha. Discute-se muito o despedimento e pouco o reemprego. Fala-se de direitos formais, mas menos da capacidade concreta de uma pessoa passar rapidamente de um emprego para outro, com rendimento, apoio e formação. Ora, esta é a verdadeira segurança no século XXI.O modelo atual falha dos dois lados. Falha às empresas, que vivem muitas vezes condicionadas por regras lentas, pesadas e imprevisíveis. E falha aos trabalhadores, porque esta rigidez formal acaba por produzir o efeito contrário ao prometido: menos contratação sem termo, mais recurso a vínculos precários, mais bloqueio à entrada dos jovens e menos mobilidade profissional.Portugal precisa, por isso, de uma reforma séria e equilibrada.Primeiro, simplificando e tornando mais previsíveis as regras de contratação e cessação de contrato, sobretudo quando estão em causa motivos objetivos, económicos ou de reorganização. Uma empresa não pode viver permanentemente paralisada pelo medo de decidir.Segundo, combatendo com firmeza o abuso dos contratos a prazo e da falsa prestação de serviços. Flexibilidade não pode ser uma palavra elegante para esconder precariedade.Terceiro, reforçando a proteção no desemprego, mas ligando-a a uma lógica de exigência e transição. Quem perde o emprego não pode cair num vazio burocrático. Deve entrar rapidamente num percurso com diagnóstico de competências, plano individual, formação orientada para necessidades reais da economia e ligação efetiva a novas oportunidades.É precisamente aqui que Portugal tem sido mais fraco. Protege-se no papel e falha-se na prática. O país continua demasiado preso à ideia de que a segurança está em travar a mudança. Não está. A segurança está em garantir que a mudança não destrói a vida de quem trabalha.Esta discussão é ainda mais urgente numa economia que enfrenta duas pressões ao mesmo tempo: escassez de talento e transformação acelerada das competências. Há empresas com dificuldade em recrutar e há trabalhadores com dificuldade em acompanhar a mudança tecnológica. Não faz sentido responder a este desafio com um modelo assente na desconfiança mútua e na ilusão de que impedir a adaptação é uma forma de justiça social.Não é.A verdadeira justiça social está em criar um mercado de trabalho dinâmico, mas civilizado. Competitivo, mas decente. Onde as empresas possam contratar sem receio de ficar amarradas em qualquer cenário e onde os trabalhadores saibam que uma mudança de emprego, mesmo quando involuntária, não significa uma queda sem rede.Naturalmente, Portugal não é a Dinamarca. Não tem a mesma tradição institucional, nem a mesma capacidade de execução, nem a mesma cultura de concertação. Mas isso não é argumento para ficar parado. e argumento para adaptar bem.com implementação gradual, avaliação rigorosa, políticas ativas de emprego mais eficazes e maior articulação entre empresas, sindicatos, politécnicos e centros de formação.O país tem de escolher o que quer proteger: a aparência de estabilidade ou a capacidade de criar prosperidade com segurança. O pior sistema laboral não é o que permite mudar. e o que impede contratar, desincentiva crescer e empurra demasiadas pessoas para a precariedade ou para a estagnação.Portugal não precisa de mais trincheiras ideológicas no trabalho. Precisa de confiança. E a confiança constrói-se assim: liberdade para adaptar, segurança para recomeçar. Portugal não precisa de mais trincheiras ideológicas no trabalho. Precisa de confiança. E a confiança constrói-se assim: liberdade para adaptar, segurança para recomeçar.Ramiro Brito, Presidente da Associação Empresarial do Minho (AEMinho) e CEO do Grupo ÉrreLeia o artigo AQUI

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23 MAR. 2026

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Artigo de Ramiro Brito no Observador: Quando governar é atirar dinheiro para os problemas

Artigo de Ramiro Brito no Observador: Quando governar é atirar dinheiro para os problemas

A tentação dos subsídios, a turistificação da economia e a ausência de uma estratégia para o crescimento.O recente anúncio do Governo de novas medidas de apoio ao setor da restauração volta a expor uma velha tentação da política portuguesa: a de confundir política económica com distribuição de subsídios. Independentemente das dificuldades concretas do setor — que existem e são reais — a questão de fundo é outra: não é assim que se resolvem problemas estruturais de uma economia.Portugal sofre hoje de fragilidades profundas em múltiplos domínios: indústria, capitalização das empresas, produtividade, inovação, salários, demografia económica e qualificação da força de trabalho. Nada disto se resolve com cheques pontuais, medidas avulsas ou pacotes de apoio desenhados para produzir impacto mediático imediato. Estas iniciativas — repetidas ao longo de décadas por governos do PS e do PSD — não mudam a estrutura da economia; limitam-se a torná-la mais dependente.O problema não é apoiar um setor. O problema é substituir estratégia por subsídio.A restauração, como tantos outros setores, sofre sobretudo com aquilo que verdadeiramente trava a economia portuguesa: uma carga fiscal excessiva, burocracia paralisante, instabilidade regulatória, dificuldade de acesso a financiamento, justiça lenta e um Estado caro que devolve pouco em serviços essenciais. Nenhum destes problemas é resolvido com apoios pontuais. Pelo contrário: perpetuam-se.Mais grave ainda é o sinal político que este tipo de medidas transmite: o de que o país continua a ver no turismo e nos setores associados o seu principal eixo de desenvolvimento económico. O turismo é, sem dúvida, extremamente importante para Portugal. Mas não pode ser o centro estratégico de um país que ambiciona crescer, pagar melhores salários e convergir com a Europa desenvolvida.Economias sólidas constroem-se sobre indústrias estruturais, exportadoras, intensivas em conhecimento, tecnologia e valor acrescentado. Sem uma base industrial moderna, sem escala empresarial e sem investimento sério em inovação e produtividade, o país continuará preso a um modelo económico frágil, vulnerável a choques externos e estruturalmente incapaz de gerar riqueza suficiente.Portugal não precisa de uma economia baseada em exceções, regimes especiais e apoios extraordinários. Precisa de condições normais para funcionar bem.Precisa de menos impostos sobre quem produz e trabalha. Precisa de um Estado que funcione: justiça em tempo útil, serviços públicos eficientes e decisões administrativas previsíveis. Precisa de políticas que incentivem o investimento produtivo, a capitalização das empresas e o crescimento de setores estratégicos — não de remendos orçamentais.Há, naturalmente, exceções justificáveis. A agricultura, por exemplo, está exposta a riscos incontroláveis como o clima e tem ciclos longos de reposição de produção. Aí, o apoio público faz sentido e é estruturalmente defensável. Mas transformar a lógica da exceção na regra é um erro económico e político.Se o Governo acredita que os problemas da economia portuguesa se resolvem atirando dinheiro para cima deles, então o resultado será inevitável: mais impostos, mais dependência e menos crescimento.Portugal precisa de reformas, não de paliativos. Precisa de visão estratégica, não de medidas para o ciclo noticioso. Precisa de construir uma economia a sério — não uma economia de subsídio em subsídio.Ramiro Brito, Presidente da Associação Empresarial do Minho (AEMinho) e CEO do Grupo ÉrreVeja o artigo AQUI

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30 JAN. 2026

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