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Artigo de Ramiro Brito, no Observador: A Europa quer abrir mercados, mas recusa mudar por dentro
Acordos com o Mercosul, a Austrália, a Índia e outras economias expõem um paradoxo europeu: abrir ao mundo sem reformar a sua base produtiva pode acelerar a perda de relevância.Durante décadas, a Europa habituou-se a olhar para si como um dos vértices naturais da economia mundial: mercado vasto, moeda sólida, Estado de direito consolidado, instituições densas, um “modelo social” admirado. Porém, o mundo mudou mais depressa do que a Europa, e cada novo acordo comercial, como os recentemente firmados ou negociados com a Índia, o Mercosul ou a Austrália, expõe uma tensão fundamental: queremos continuar a definir regras para o comércio global, mas hesitamos em fazer as reformas internas necessárias para competir nesse mesmo comércio.Os acordos com parceiros estratégicos como a Índia ilustram bem este dilema. Em teoria, abrem portas a um dos mercados mais dinâmicos do planeta: uma classe média em ascensão, demografia jovem e um ecossistema tecnológico em ebulição. Para as empresas europeias, isto significa acesso a novos consumidores, cadeias de valor mais diversificadas e oportunidades de investimento. Num contexto de rivalidade crescente entre Estados Unidos e China, uma relação económica mais estreita com a Índia é também um gesto geopolítico: reduzir dependências, multiplicar alternativas, evitar o destino de mero espaço intermédio entre dois gigantes.Mas este não é um caso isolado. O acordo com o Mercosul, se plenamente concretizado, abre à Europa um mercado de mais de 260 milhões de consumidores e acesso a matérias-primas críticas, ao mesmo tempo que expõe setores sensíveis a concorrência com estruturas de custos muito distintas. Já o acordo com a Austrália, economia madura e altamente competitiva, representa uma oportunidade qualitativa: acesso a um mercado exigente e a cadeias de valor sofisticadas. Em conjunto, estes acordos desenham um novo mapa de inserção global para a Europa, mais aberto, mais diversificado, mas também mais exigente.A outra face destes acordos é, porém, bem menos confortável. A indústria europeia, já pressionada por custos energéticos elevados, por uma teia regulatória complexa e por atrasos em domínios-chave como semicondutores, inteligência artificial ou biotecnologia, confronta-se agora com concorrência acrescida de economias com maior escala, custos mais baixos ou políticas industriais agressivas. Em indústrias tradicionais, o risco de deslocalização e destruição de emprego é real. Noutras, a pressão sobre margens, propriedade intelectual e talento será intensa.É aqui que se revela o paradoxo europeu: precisamos destes acordos para não resvalar para a irrelevância; mas cada novo acordo evidencia que o nosso modelo produtivo não está preparado para um mundo em que a escala, a velocidade e o risco contam tanto como a qualidade e a regulação.O problema não reside nos tratados em si, mas na casa europeia mal arrumada. O “modelo europeu”, economia de mercado, proteção social e forte regulação, garantiu décadas de prosperidade. Hoje, porém, acumulam-se sinais de fadiga: crescimento anémico, investimento insuficiente, perda de peso na inovação e dependência tecnológica preocupante.A Europa é exemplar a regular, talvez demasiado, e lenta a decidir. A fragmentação do mercado interno corrói a promessa de escala. Falta um verdadeiro mercado único para capitais, energia e dados. Falta, sobretudo, uma hierarquia de prioridades: não é credível querer ser simultaneamente o campeão climático, o espaço regulatório mais exigente, o Estado social mais abrangente e um competidor industrial global sem aceitar escolhas e riscos.Os acordos com economias emergentes e desenvolvidas funcionarão como teste de stress a este modelo. Se forem acompanhados por uma agenda interna séria de competitividade, simplificação regulatória, redução de burocracia, investimento em I&D, políticas industriais coordenadas e energia mais acessível, podem ser uma alavanca de modernização. Caso contrário, arriscam acelerar a erosão industrial do continente.A decisão é política, não técnica. A Europa terá de escolher se quer ser sobretudo o regulador de um jogo que outros jogam melhor, ou um ator competitivo, com instrumentos à altura das suas ambições: investimento estratégico, defesa de setores críticos e uma política comercial baseada em reciprocidade efetiva.Se o projeto europeu falhar, não será por excesso de acordos com a Índia, com o Mercosul, com a Austrália ou com qualquer outro parceiro. Será por insistir num modelo concebido para um mundo que já não existe. A janela para corrigir a trajetória não está fechada, mas está a estreitar-se.A Europa continua a dispor dos seus trunfos: capital humano qualificado, sistemas científicos avançados, poupança, Estado de direito, valores que atraem. O que falta é coragem. Coragem para reconhecer que proteger o “modelo europeu” implica transformá-lo.Os acordos comerciais não são o problema, são o espelho. A questão é se estamos dispostos a olhar para esse espelho e a mudar, antes que o mundo mude definitivamente sem nós.Ramiro Brito, Presidente da Associação Empresarial do Minho (AEMinho) e CEO do Grupo Érre Leia o artigo AQUI
Artigo de Ramiro Brito, no Observador: Quando a economia espera
Num mundo marcado pela incerteza, a agilidade das empresas portuguesas pode ser não uma fragilidade, mas uma vantagem estratégicaHá momentos na história económica que não se anunciam com estrondo, nem se deixam capturar de imediato pelos indicadores. São tempos mais subtis, onde o movimento não cessa, mas abranda. Onde a economia não recua, mas hesita.É esse o tempo que vivemos.Num contexto internacional marcado por tensões geopolíticas persistentes, volatilidade nos mercados energéticos e sinais contraditórios nas principais economias europeias, instalou-se uma nova normalidade: a incerteza deixou de ser episódica e passou a estrutural.Quando a incerteza se instala como regra, altera profundamente o comportamento económico. As decisões deixam de ser apenas racionais. Tornam-se mais cautelosas, mais ponderadas e, muitas vezes, adiadas. E é nesse adiamento que o crescimento começa a perder ritmo.Mas há uma leitura adicional, e necessária, que importa fazer.Se é verdade que a incerteza penaliza economias mais frágeis, também é verdade que favorece economias mais ágeis.Portugal, frequentemente descrito pela sua pequena dimensão e pela predominância de pequenas e médias empresas, tende a olhar para si próprio sob o prisma da limitação. Contudo, em contextos de mudança acelerada, essas mesmas características podem transformar-se em vantagem.A menor escala permite maior proximidade à decisão. A flexibilidade organizacional facilita a adaptação. A capacidade de reconfiguração, muitas vezes subestimada, torna-se um ativo crítico quando o contexto exige resposta imediata.Onde grandes estruturas demoram a ajustar, as empresas portuguesas conseguem reposicionar-se com maior velocidade. E isso, num mundo instável, tem valor.Mas uma vantagem só se materializa se for reconhecida e enquadrada.Num contexto global onde a incerteza não pode ser eliminada, cabe à política económica garantir que tudo o que é interno não contribui para a amplificar. Mais do que intervir, importa criar condições para decidir.Reduzir o tempo de decisão administrativa, que continua a ser um entrave ao investimento. Garantir estabilidade fiscal, permitindo planeamento de médio prazo. Facilitar o acesso a financiamento e a instrumentos de mitigação de risco ajustados às PME. E reforçar a articulação entre política pública e tecido empresarial.Não se trata de transformar a economia portuguesa. Trata-se de a libertar.Porque, no momento atual, o maior risco não é a dimensão do país. É a incapacidade de transformar essa dimensão numa vantagem estratégica.Num mundo onde a escala já não garante velocidade, os países mais ágeis têm uma oportunidade real de se afirmar. Portugal pode ser um deles, se souber alinhar a sua capacidade empresarial com um enquadramento institucional que a potencie.Hoje, mais do que nunca, o desafio não é apenas resistir à incerteza.É escolher o que fazemos com ela.Porque a incerteza não paralisa todos por igual, separa. Separa os que esperam dos que avançam. Os que adiam dos que lideram.Portugal não ficará para trás por falta de capacidade, mas por excesso de hesitação.Num mundo em permanente aceleração, esperar deixou de ser prudência. Passou a ser abdicação.E entre adaptar-se ou ficar para trás, já não há meio-termo, há apenas decisão.Ramiro Brito, Presidente da Associação Empresarial do Minho (AEMinho) e CEO do Grupo ÉrreLeia o artigo AQUI
Artigo de Ramiro Brito, no Observador: Portugal não falha por falta de ideias. Falha por falta de acordo.
Ao longo dos anos, o país foi acumulando diagnósticos, relatórios e propostas sobre praticamente todas as áreas estruturais. Sabemos o que está mal, sabemos o que precisa de ser feito e, muitas vezes, até sabemos como fazer. O que tem faltado, de forma sistemática, é a capacidade de transformar esse conhecimento em compromisso político duradouro.Há áreas onde esta falha já não é aceitável. Fiscalidade, justiça e saúde não são campos de afirmação ideológica. São pilares estruturais de um país funcional.E, no entanto, continuamos a tratá-los como se fossem território de disputa permanente.Na fiscalidade, acumulamos complexidade, instabilidade e falta de visão. Penalizamos o investimento, sobrecarregamos o trabalho e mantemos um sistema que ninguém verdadeiramente entende, mas que todos sentem. O país não precisa de mais ajustes pontuais. Precisa de um compromisso político claro sobre o modelo fiscal que quer ser, simples, competitivo e orientado para o crescimento. E precisa, sobretudo, que esse compromisso sobreviva a mudanças de governo.Na justiça, a realidade é conhecida e pouco discutida com a frontalidade necessária. A morosidade, a imprevisibilidade e a dificuldade de execução não são apenas problemas do sistema judicial, são entraves diretos à economia. Não há investimento consistente onde não há confiança na capacidade de resolver conflitos em tempo útil. Este não é um debate ideológico. É uma condição básica de credibilidade do país.Na saúde, a discussão mantém-se presa a posições rígidas, enquanto o sistema acumula sinais de desgaste. A pressão sobre profissionais, a dificuldade de resposta e a crescente dependência de soluções alternativas mostram que o modelo atual precisa de ser repensado com pragmatismo. Não para substituir um extremo por outro, mas para garantir aquilo que realmente importa: acesso, qualidade e sustentabilidade.O ponto comum é evidente: nenhuma destas áreas se resolve num ciclo político. Todas exigem continuidade, estabilidade e previsibilidade. E todas continuam reféns de uma lógica de curto prazo que impede reformas estruturais.Portugal não precisa de unanimidade. Precisa de maturidade.Precisa de um consenso alargado, assumido e duradouro sobre matérias essenciais. Um consenso que permita às empresas investir com confiança, aos cidadãos acreditar nas instituições e ao Estado funcionar com eficácia.Continuar a transformar estas áreas em arenas de confronto é um erro que o país paga todos os dias, na sua competitividade, na sua atratividade e na sua capacidade de resposta.Há momentos em que governar não é vencer o adversário.E há momentos em que fazer oposição não pode ser, por definição, impedir que o outro avance.Mas há, sobretudo, uma pergunta que os partidos políticos deviam ter a coragem de fazer:defender determinadas posições por puro posicionamento eleitoral serve, de facto, o país?Há matérias onde o único resultado aceitável é o país ganhar.E talvez tenha chegado o momento de começar por aí.Ramiro Brito, Presidente da Associação Empresarial do Minho (AEMinho) e CEO do Grupo ÉrreLeia o artigo AQUI
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