TSF: Minho entra na "onda" dos pedidos de simplificação fiscal e mais renováveis
A Associação Empresarial do Minho identificada os cinco principais constrangimentos na atividade económica e pede a intervenção de Governo e partidos políticos, depois de ser recebida por diversos grupos parlamentares, à exceção do Livre, PCP e BEA Associação Empresarial do Minho pede um regime fiscal mais simples e previsível para as empresas, a redução da carga fiscal sobre o trabalho, a qualificação de trabalhadores mais adaptada às necessidades do mercado e o combate à ineficiência da administração pública.Para a Associação Empresarial do Minho, para haver empresas mais competitivas o seu regime fiscal tem de mudar, pois considera que o país tem uma arquitetura fiscal completamente desincentivadora do investimento e penalizadora do crescimento.Nesse sentido, elaborou um pacote de medidas concretas que já apresentou a vários grupos parlamentares: a começar pela criação de um regime fiscal simplificado que permita reduzir a tributação sobre o trabalho e sobre os resultados reinvestidos, por acreditar que só com menos impostos sobre o trabalho e um sistema de estabilidade fiscal plurianual, os empresários conseguem lidar com um clima económico baseado na incerteza.Para o presidente da Associação Empresarial do Minho, Ramiro Brito, o atual quadro penaliza não só os empresários portugueses como quem quer investir em Portugal, porque, considera, se deparam com um "pesadelo administrativo", o emaranhado de processos, procedimento ou redundâncias processuais que podem envolver 500 entidades e demorar dois anos a validar, tirando a vontade a quem tem dinheiro para investir no país.Por isso, propõe a criação de vias rápidas para projetos estratégicos, para tornar as empresas da região mais competitivas, e a aposta no ensino profissional, bem como o planeamento de vagas no ensino superior adaptadas às necessidades do mercado.O presidente da Associação Empresarial do Minho assegura também que foi uma das pessoas que felicitou o Governo por ter criado a pasta da reforma do Estado, por considerar que é preciso uma mudança na "máquina" pública face ao estado atual de "emergência nacional", defendendo que deve ser feita de forma transversal e abranger todas as áreas da ação estatal sobre os contribuintes."Nós temos uma administração pública claramente ineficiente e que normalmente não consegue garantir aquilo que é essencial, por exemplo, seja ao nível de licenciamentos, de justiça ou fiscalidade. Para a vida económica falta previsibilidade e agilidade", justifica.Para o lider daquela associação, é preciso definir princípios fundamentais e transversais e só depois estabelecer prioridades, mas também é preciso, no seu entender, "olhar com coragem para o próprio estatuto da função pública e perceber se está adequado aos tempos atuais, sem necessariamente retirar ou cortar direitos, mas sim reconfigurar esses direitos."A juntar aos desafios caseiros da economia portuguesa, o atual momento geopolítico internacional trás mais uma preocupação."Num mundo globalizado em que todos vivemos é preciso ter a perceção real da interdependência internacional das cadeias de fornecimento de produtos e até de serviços. E o conflito no Golfo Pérsico pode trazer escassez e, independentemente do seu rumo, já provocou impacto direto no aumento dos preços na cadeia de produção, logo vão refletir-se nos preços de venda aos consumidores", constata.Depois, aponta efeitos indiretos a médio prazo, como, por exemplo, no acesso ao crédito, uma vez que o próprio sistema bancário começa a ter receio de financiar a economia e qualquer financiamento vai incluir uma dose significativa de risco. E esse risco tem um custo que é pago pelo consumidor final. Até ao momento, não sabe qual vai ser o real impacto, se grande ou pequeno, nas empresas portuguesas.Ramiro Brito admite que o caminho da independência energética do país pode passar pela aposta nas energias renováveis e considera que se deveria aproveitar esta oportunidade, em que há uma consciência coletiva de que o país não pode ter o atual nível de exposição a produtos como o petróleo e gás. "E deveria pensar de uma forma muito estruturada, rápida e estratégica numa transformação a sério do nosso cenário energético em Portugal, para desenhar um futuro muito mais estável e muito mais promissor para a economia portuguesa", salienta.Numa altura em que a Europa promove a sustentabilidade dos negócios, recorda o posicionamento estratégico do país: "A nossa geolocalização revela a nossa relevância face ao resto do mundo, pela importância que o mar tem e, portanto, todas aquelas atividades económicas que estejam relacionadas com a economia do mar são extremamente relevantes para a economia do país e da região."O mar pode ser fonte de soluções estruturais, não só para a região do Minho, como para o resto do país, desde a produção de energia de fonte limpa à exploração industrial de bens para a medicina ou alimentação até à tecnológica - que viaja por cabos submarinos que ligam continentes."Ao nível da economia azul temos alguns projetos significativos, mas que estão ainda em fase embrionária, ou seja, estão ainda em fase de testes e são projetos-piloto interessantes, mas temos muito mais a fazer sobre isso. Mas ao nível dos cabos submarinos há um mundo por explorar", adianta.Ainda para o líder da Associação Empresarial do Minho, apesar do papel determinante das políticas do Governo central e das políticas europeias na criação de dinâmicas, é preciso criar consciência na própria comunidade empresarial da importância da economia azul.Nesse sentido, esta associação está a preparar uma conferência dedicada à indústria e um fórum dedicado às potencialidades das telecomunicações e do mar.Veja a notícia AQUI
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