Artigo de Ramiro Brito no Observador: As instituições que nascem da economia real

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Publicado a 25 mai. 2026

O quinto aniversário da AEMINHO celebra mais do que um percurso institucional. Celebra a força coletiva de uma região que continua a crescer pela sua própria capacidade.

Há cinco anos, quando um grupo de empresários decidiu criar a Associação Empresarial do Minho, poucos imaginariam a velocidade com que aquela ideia ganharia dimensão, voz e relevância nacional. Talvez porque, em Portugal, nos habituámos a olhar para as instituições novas com desconfiança, como se a legitimidade dependesse exclusivamente da antiguidade, do peso histórico ou da proximidade aos centros tradicionais de poder.

Mas as instituições verdadeiramente vivas raramente nascem do conforto. Nascem da necessidade.

A AEMINHO nasceu precisamente disso: da perceção clara de que o Minho, uma das regiões mais dinâmicas, exportadoras e resilientes do país, precisava de uma voz empresarial livre, independente, moderna e profundamente ligada à economia real. Uma voz sem dependências políticas, sem amarras ideológicas, sem burocracias paralisantes. Uma associação construída por empresários, para empresários.

Num país excessivamente centralizado, onde tantas vezes os territórios só existem quando o poder central se lembra deles, o Minho aprendeu há muito a crescer pela força das suas empresas, da sua capacidade de trabalho, da sua indústria, da sua diáspora e da sua resiliência coletiva. Talvez por isso a AEMINHO tenha conseguido afirmar-se tão rapidamente. Porque nunca tentou representar um conceito abstrato de economia. Representou pessoas reais, empresas reais, problemas reais.

Nestes cinco anos fomos independentes e acutilantes sem nunca perder o equilíbrio institucional. Defendemos empresas sem cair no discurso fácil. Criticámos quando tivemos de criticar. Propusemos quando tivemos de propor. Falámos de produtividade quando quase ninguém queria falar dela. Falámos de qualificação, de energia, de indústria, de fiscalidade, de competitividade, de inovação, de internacionalização, de talento, de habitação, de sustentabilidade e de coesão territorial antes de muitos destes temas se tornarem centrais no debate público.

Fizemo-lo sempre com uma convicção simples: não há economia forte sem empresas fortes. E não há empresas fortes num país que desconfia permanentemente de quem cria riqueza.

Talvez por isso uma das maiores conquistas da associação nestes cinco anos tenha sido precisamente a capacidade de criar convergência. Aproximar empresários, trabalhadores, universidades, autarquias, Governo, diplomacia, investidores e sociedade civil. Construir pontes num tempo em que quase todos parecem mais preocupados em erguer trincheiras.

Sempre recusámos a visão ultrapassada dos “patrões contra os trabalhadores”, porque as empresas são organismos vivos onde todos contam. O sucesso de uma empresa nunca pertence apenas ao capital. Pertence também ao esforço, ao talento, ao compromisso e ao sacrifício coletivo de quem todos os dias a constrói.

Ao longo destes cinco anos, a AEMINHO tornou-se mais do que uma associação empresarial. Tornou-se um espaço de afirmação regional com projeção nacional. Um ponto de encontro de ideias, de inquietação estratégica e de ambição coletiva. Uma instituição que procurou colocar o Minho no país e o país no mundo.

E talvez isso explique o simbolismo especial de celebrarmos este quinto aniversário na Cimeira da Indústria, em parceria com o Observador. Porque a indústria continua a ser um dos maiores pilares silenciosos da economia portuguesa. Discreta, resistente, exportadora, inovadora. Muitas vezes ignorada no discurso político, quase sempre decisiva nos momentos mais difíceis do país.

Chegar aos cinco anos não é, para nós, um ponto de chegada. É apenas uma confirmação de responsabilidade.

As instituições não se medem apenas pelo tempo que existem. Medem-se pela confiança que conseguem construir, pela capacidade de mobilizar pessoas, pela coragem de manter independência e pela utilidade que têm para a sociedade.

Se a AEMINHO conseguiu crescer tão depressa, foi porque nunca pertenceu verdadeiramente a uma direção, a um presidente ou a um grupo restrito de pessoas. Pertenceu sempre à energia coletiva de uma região inteira que se recusa a aceitar um papel secundário no desenvolvimento do país.

E enquanto essa energia existir, continuará a haver futuro para o Minho. E continuará a haver razões para acreditar em Portugal.

Ramiro Brito, Presidente da Associação Empresarial do Minho (AEMinho) e CEO do Grupo Érre

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